Isadora Le Senechal Parada
(ecóloga)


Quem conheceu o Marujá há alguns anos pode ter uma lembrança desagradável de muitas barracas montadas na praia perto da bica e, consequentemente, muito lixo e muita baderna.

Havia também muitos focos de lixo na vila, falta de saneamento e de infra-estrutura para receber turistas na ilha.

Há cerca de três anos, O Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC) começou a se preocupar com o turismo na parte sul da ilha e tomou diversas providências.

A primeira delas foi conscientizar a população local em relação ao lixo, ao esgoto e à água. Junto de uma ONG alemã, a água no Marujá foi canalizada e hoje, abastece toda a vila.

Quanto ao esgoto, precisa ser melhorado, mas o tratamento do esgoto doméstico é feita por um sistema biológico, onde raízes absorvem a matéria orgânica e a água limpa é despejada no canal.

O lixo é levado a Cananéia cerca de três vezes por semana, mas para diminuir a quantidade de lixo, os restos orgânicos são enterrados nos quintais das casas.

Além disso, o vidro é separado em sacos especiais para evitar acidentes.

Com os projetos de saneamento básico em andamento, pôde-se dar maior atenção ao turismo na vila, que estava começando a se destacar.

O parque, em conjunto com a Associação dos Moradores do Marujá (AMOMAR), optaram por um número limite de barracas na vila, calculado de acordo com o número de banheiros.

Não foi feito um estudo técnico de capacidade de suporte, mas o conhecimento empírico dos moradores e o bom senso dos mesmos levou ao limite atual.

Diversas modificações foram feitas (visando uma maior homogeneidade na distribuição das barracas) e novos banheiros foram construídos para que todos pudessem alojar "barraqueiros" no seu quintal até se chegar no número atual de vagas para barracas: 270, distribuídas em 32 áreas de camping.

Essa atidude dos moradores visa não só proteger a ilha, diminuindo o impacto causado pelos turistas, mas o visa também o conforto desses visitantes.

O trabalho de fiscalização desse número de barracas é realizado pela AMOMAR nos feriados e pelos estagiários do PEIC no verão.

O papel do estagiário é responsabilizar-se por essa fiscalização, organizar eventos culturais com a comunidade, realizar palestras e atividades de Educação Ambiental com os moradores e com os turistas, passar informações sobre a ilha aos visitantes, entre outras atividades.

Outra preocupação foi em relação às trilhas de visitação pública. Por isso, monitores ambientais foram formados para que acompanhassem os turistas nos passeios, dando informações sobre o meio, tornando a viagem, uma atividade não apenas turística, mas também de educação ambiental.

Inicia-se assim o ecoturismo na vila, ou seja, o turismo não impactante, controlado.

Para que o turismo continue sendo não impactante, quem quiser visitar a Ilha do Cardoso precisa seguir algumas regrinhas:

  • Nunca leve o seu bichinho de estimação para a ilha (além de ser proibido, eles transmitem doenças);
  • Faça sua reserva antecipada:
    (13) 3851-6143
  • Respeite a comunidade:
  • Tome cuidado com suas atitudes, geralmente, há crianças olhando;
  • Procure sempre um monitor ambiental para fazer passeios;
  • Separe o seu lixo orgânico e dê ao dono da casa para enterrar;
  • Não desperdice água, e procure diminuir o uso de shampoo e sabonete;
  • Divirta-se e aproveite a natureza

 

  "Muito mais do que um paraíso, a Ilha do Cardoso é um patrimônio vivo de toda a humanidade. Suas portas frágeis estão sempre abertas para aqueles que possam compreender a natureza e lutar por ela. Seu pequeno povo que o recebe carinhosamente, nada exige de você além do respeito pela sua casa que neste lugar não se limita em quatro paredes."
(Arnaldo Expedito da Silva)
   

        

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