QUAL É A NOSSA PARTE ?
A Organização das Nações Unidas declarou 2002 como o Ano Internacional
do Ecoturismo. A declaração da ONU é um testemunho da importância crescente do
ecoturismo, não só como um setor de grande potencial para o desenvolvimento econômico
- especialmente em lugares remotos onde existem poucas possibilidades - mas
também como um poderoso instrumento para a conservação do ambiente natural,
desde que seja adequadamente planejado, desenvolvido e manejado.
Entre as várias atividades realizadas em nível global, nacional e local
no âmbito do Ano Internacional do Ecoturismo, a Cúpula almeja ser um marco.
Seus objetivos globais e seu espírito estão alinhados com a filosofia da
Organização das Nações Unidas no campo do desenvolvimento sustentável, e mais
particularmente, com os Princípios para Implementação do Turismo Sustentável do
PNUMA. Similarmente, a Cúpula deverá ser inspirada pelo Código Global da Ética
no Turismo, aprovado por consenso por todos os Países Membros da OMT, em
outubro de 1999. As conclusões e recomendações da Cúpula deverão ser
comunicadas à Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (também
conhecida como Rio+10), a ser realizada em Johanesburgo, na África do Sul, em
setembro de 2002.
De acordo com Klaus Toepfer, Sub-secretário Geral das Nações Unidas e
Diretor Executivo do PNUMA, se for adequadamente administrado, o ecoturismo
poderá ser uma ferramenta inestimável para o financiamento da proteção de
locais ecologicamente sensíveis e para o desenvolvimento de populações que
vivem em suas vizinhanças.
Os objetivos da Cúpula de Quebec serão:
Propiciar uma ampla revisão do potencial de contribuição do ecoturismo ao
desenvolvimento sustentável;
Propiciar a troca de informações sobre as boas práticas e as lições aprendidas
pelo planejamento, desenvolvimento, gestão e marketing do turismo sustentável;
Avançar no conhecimento dos impactos sociais, econômicos e ambientais do
ecoturismo;
Avaliar a eficácia de mecanismos regulatórios e esquemas de voluntariado para o
monitoramento e o controle dos impactos do ecoturismo;
Revisar as experiências e lições aprendidas com a participação das comunidades
locais e dos povos indígenas nos projetos e negócios de ecoturismo;
Ampliar a capacidade de governos, do setor privado e das ONGS para usarem
efetivamente o ecoturismo como uma ferramenta para atingir o desenvolvimento
sustentável e a conservação dos recursos naturais;
Encontrar meios de estimular um comportamento mais responsável por parte de
todos que atuam no campo do ecoturismo, incluindo pessoas do setor público,
empresários e seus empregados, além dos próprios turistas;
Definir novas áreas de colaboração internacional e interinstitucional com
vistas a colaborar para o desenvolvimento e gestão sustentáveis do ecoturismo
em todo o mundo;
Preparar uma Declaração de Québec sobre Ecoturismo e elaborar um conjunto de
conclusões e recomendações para o planejamento, desenvolvimento, gestão,
marketing e monitoramento de atividades ecoturísticas, com vistas a garantir
sua sustentabilidade a longo prazo.
Para isso, reuniões setoriais ocorreram em todos os continentes desde
março de 2001. No Brasil, a Organização Mundial do Turismo (OMT) organizou uma
grande reunião em Cuiabá, no mês de Agosto de 2001. As conclusões dessa reunião
foram apresentadas pelo vice-ministro de Esportes e Turismo Sr. Luis Otávio.
No Brasil, o Grupo de Trabalho em Certificação do Turismo Sustentável vem
trabalhando no tema já há um ano e meio e suas conclusões serão apresentadas
nesse encontro. A idéia é realizar no Brasil o projeto piloto de certificação
que posteriormente será implantado nos demais países.
Já inaugurada a Cúpula Mundial de Ecoturismo com sessões de abertura e coquetel
propõe um conjunto de painéis apresentando as conclusões das reuniões
preparatórias nos cinco continentes. Em seguida quatro sessões paralelas,
voltadas aos quatro temas da conferência:
Tema A: Políticas e Planejamento para o Ecoturismo
Tema B: Regulação do Ecoturismo
Tema C: Desenvolvimento de produtos e Marketing do Ecoturismo
Tema D: Monitorando custos e benefícios do Ecoturismo
Enquanto os grupos de trabalho esforçam-se para esboçar as conclusões da
conferência, um Fórum Ministerial onde representantes de vários países
relatarão experiências, seguido de outras duas reuniões concomitantes. O Fórum
sobre Perspectivas dos negócios em Ecoturismo e o Fórum sobre Desenvolvimento
de Cooperação em Ecoturismo. Serão apresentadas as conclusões dos grupos de
trabalho, com recomendações e debates e ainda será apresentada ao plenário da
Cúpula a versão preliminar da Declaração da Cidade de Quebec sobre Ecoturismo.
O Brasil apresentou três experiências de porte: o Proecotur - Programa de
Ecoturismo do Ministério de Meio Ambiente que vem financiando e apoiando a
instalação de infraestrutura para o ecoturismo na Amazônia; o projeto Pólos de
Ecoturismo no Brasil, parceria da EMBRATUR com o IEB - Instituto de Ecoturismo
do Brasil, que mapeou as localidades com potencial para o desenvolvimento dessa
atividade em todo o país e o projeto de estruturação de um Cluster Turístico na
Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo. A idéia é
estruturar e divulgar o potencial ecoturístico (além do turismo rural e
histórico-cultural) do entorno da cidade de São Paulo, maior pólo emissor e
receptor de turismo no Brasil.
O PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a OMT -
Organização Mundial do Turismo, e os demais organizadores do Canadá não
esperavam tamanho sucesso. O Secretário Geral Francesco Frangialli afirmou que
“o desenvolvimento sustentável do ecoturismo está na encruzilhada de uma
preocupação econômica com três vertentes: econômica - estimulando a atividade e
reduzindo a pobreza; social - criando oportunidades de trabalho para os mais
desfavorecidos; e ambiental - provendo os recursos financeiros necessários para
se proteger os recursos naturais e culturais que atraem os ecoturistas. Todos
os envolvidos devem trabalhar conjuntamente para atingir os objetivos dessas
três importantes áreas”. “Muitos projetos de ecoturismo nascem de um ato
passional”, disse Neil Hartling, do sub-comitê de Outdoor Experience da
Comissão de Turismo Canadense, que fez uma palestra. “No entanto, sempre
esquecemos que a equação custo / benefício é essencial para a sobrevivência
dessas iniciativas. Ações que promovem o envolvimento dos moradores das
localidades, parcerias fortes entre todos os envolvidos, além da educação do
turista, deverão trabalhar juntas para assegurar o desenvolvimento sustentável
do ecoturismo”.
Ulysses Ribeiro Santos
Clube de Pesca Cananéia
pescacan@virtualway.com.br