“Volto já” e “fechado para almoço”

 

                  Que tal ficar duas horas esperando por um almoço?

Entrar numa loja e os vendedores ignorarem a sua presença? Ter seu café da manhã

“confiscado”naquela pousada que você se hospedou na praia, durante as férias, caso

você não seja capaz de acordar até as 9 horas da manhã? Ser atendido de forma nada

gentil em qualquer tipo de comércio, da farmácia ao serviço de motoboy?

E quando acontece aquela situação cômica... O lugar que você procura traz uma

placa com dizeres inacreditáveis, como “volto já” ou “fechado para almoço”?

Infelizmente nada disso é novidade no Vale do Ribeira, região que tem na maioria

das suas cidades elevado potencial turístico. E, justamente em razão desse potencial,

que essas situações precisam ser pensadas e modificadas, porque são inaceitáveis para

o turista com o mínimo de exigência em qualidade de serviços.

-O poder público pode contribuir para modificar esse quadro que, em vez de atrair o

turista para conhecer as inúmeras atrações do Vale, acaba repelindo quem poderia

trazer dinheiro para a região. Afinal, por causa das suas características ambientais,

o Vale do Ribeira não pode ter em seus domínios atividades que degradam o ambiente,

desde a implantação de indústrias até grandes projetos imobiliários. Sem falar nos bons

tempos da banana que já acabou há muito tempo, embora ainda existam ainda aqueles

que insistem em produzi-la, discutindo o tamanho da dita e ate o tipo de caixa para

embalagem ( parece que tem um monopólio neste negocio!!).

Investir na qualidade dos serviços ligados às atividades turísticas pode ser vital para

desenvolver economicamente a região. 

                  Há dois finais de semana a prefeitura de Pariquera-açu deu sua contribuição.

Pessoas que administram restaurantes no município foram levadas a Campos do Jordão,

a 167 quilômetros de São Paulo, para saber como os restaurantes daquela cidade se

preparam para receber os turistas. A iniciativa é uma demonstração de vontade que não

pode faltar nas outras cidades do Vale que, além de precisarem investir em qualidade,

ainda têm de criar infra-estrutura antes de começar a fomentar o turismo. Não basta ter

o atrativo turístico para oferecer. Muitas vezes é necessário melhorar o acesso a ele,

disponibilizando informações sobre o lugar, criando estruturas de recepção ao turista.

Alguns prefeitos ainda precisam descobrir o Vale, conhecendo seus atrativos turísticos.

Informar-se sobre seu município, criando eventos com festas e datas tradicionais,

disponibilizando roteiros de visitação,viabilizando e apostando no empresariado, com

parcerias e incentivos.

Também há outro importante mecanismo para instituir diretrizes de desenvolvimento do

turismo: o Comtur (Conselho Municipal de Turismo) é uma instituição que deveria

reunir representantes da comunidade local, do comércio, das atividades turísticas

e do poder público. De forma democrática, ele pode auxiliar a decifrar caminhos que

levem a criar nas cidades um turismo ordenado, que beneficie toda a população, através

da geração de renda e empregos, e não degrade o ambiente. Pode ajudar a descobrir como

atrair o turista, disponibilizar a ele alternativas de lazer e roteiros turísticos e infra-estrutura

para recepcioná-lo. Para que tudo isso aconteça, ele precisa ser realmente democrático,

despojando-se do nepotismo encontrado em muitas prefeituras e, até mesmo, nos Comtur.

Muita coisa ainda precisa ser feita no Vale do Ribeira.

Não há mais tempo para o “volto já...”.

Ulysses Ribeiro Santos

Clube de Pesca Cananéia