“BAIANADA” OU UMA GRANDE BANANADA !!

   

             Na sexta-feira, dia 15, em nova versão, o Codivar reuniu em Cajati cerca de oitenta pessoas. Nossos prefeitos e convidados tinham o propósito neste primeiro encontro de discutir a viabilidade e a importância do turismo no Vale do Ribeira, de assuntos pertinentes a agro-negocios e outros de interesses comunitários.

Ainda há aqueles que de forma surpreendente, acreditam que seus municípios nada têm a oferecer aos turistas. Pior, muitos imaginam que a banana é o principal, ou único, setor da economia dos municípios para o qual devem ser revertidos investimentos financeiros e estratégicos. É mais importante discutir o tamanho e o formato das caixas onde são transportadas as bananas, do que pensar nas maneiras de fomentar o turismo nas cidades, gerando empregos e renda para os seus habitantes. Será que é assim mesmo? 

                      No Vale do Ribeira, a banana chega a render milhões de reais por ano.

Porém essa renda fica concentrada nas mãos dos grandes produtores e o povo continua a passar fome ou sofrer com a subnutrição. Sem falar na decadência da sua produtividade e dos lucros do comércio. É o tipo de atividade que gera pouco emprego com rendas irrisórias aos trabalhadores. A época áurea do plantio da banana na região já passou, assim como a do cultivo do chá. Há também a degradação ambiental que resulta do plantio de monoculturas que requer um grande dispêndio de dinheiro com o uso de agrotóxicos para o controle de pragas, deixando o fruto “envenenado”, prejudicando o organismo de quem o consome, e o pior contaminando os rios da região. Não que se deva desistir da agricultura, mas que se modifique essa forma “pré-histórica” de pensar em cultura de solo. O cultivo diversificado é mais rentável e possibilita a conservação do ambiente.Ou então o povo vai continuar comendo banana!

                     E por qual razão são poucos os prefeitos que acordaram para a possibilidade rentável do turismo na região? Todos os municípios do Vale têm atrativos turísticos impressionantes. É bom lembrar – ou talvez poucos saibam disso – que o Vale do Ribeira é reconhecido em todo o mundo pelos seus atributos naturais e culturais. Em qual outro lugar do Estado de São Paulo há tanta Mata Atlântica, em bom estado de preservação? Não há.

Depois que acordarem para isso, as prefeituras precisam unir-se, e com outros grupos e organizações, discutir planos e estratégias para o turismo. Elas precisam saber o que há de melhor nas suas cidades, as formas de viabilizar a visitação e como gerar o maior número possível de empregos através das iniciativas ligadas ao turismo. Além de ser rentável, o turismo tem que ser sustentável.

 O turismo já ajudou a incrementar a renda de muitas cidades brasileiras. Hoje, no nordeste, muitas cidades sobrevivem basicamente dessa atividade. É claro que o sonho no Vale do Ribeira vai muito além daquele conquistado em outros lugares. A criação e distribuição de renda de forma democrática conservando recursos naturais, criando alternativas mercadológicas, são alguns aspectos desejáveis à região.

                   Não custa nada – talvez alguns neurônios – É só começar ...

Há cidades com atrativos naturais, culturais e históricos que são uma infindável fonte de recursos, e que sem duvida incrementarão nossos negócios, e nossas vidas.

 Dia perfeito seria aquele em que todos os prefeitos convergidos a esta idéia, fossem motivados a conhecer de perto nossos Municípios e então tocados pela sabedoria natural, ou ate por Deus pusessem pelo menos parte disso em pratica.

Ulysses Ribeiro Santos

Clube de Pesca Cananéia